segunda-feira, 21 de julho de 2008

hoje em dia

é patético ver como as pessoas estão ficando cada vez mais sozinhas...
os namoros têm ficado cada vez mais á distância, casamentos á distância, família á distância.
os apartamentos estão ficando cada vez mais pequenos, como um aviso de que muitas separações estão por vir... os filhos vão morar longe, longe até na mesma cidade em que moram os pais (e eu não fujo desse desejo).
as mulheres estão desquitando e se rebelando, fazendo farra, arranjando milhares de namorados... mas na hora de deitar e dormir, estão sozinhas.
os homens, até os que não estão separados, preferem deitar ao lado de mulheres pagas para proporcionar prazeres que eles não têm em casa, e mesmo na hora de dormir ao lado de tais mulheres, estão sozinhos.
os amigos, se distanciam... aqueles amigos de infância. um vai cursar a faculdade na capital, outro fica no interior... e outros, vão para países looonge, achando que vão descobrir uma certa liberdade, mas não entendem que se libertar não é fugir das regras e limites. todo lugar tem regra, todo lugar tem limites.
as pessoas têm medo de dividir suas vidas com outras, evitam compartilhar seus anseios, suas alegrias e suas conquistas. as pessoas têm medo, pois hoje tudo se resume a uma palavra: competição.
a competitividade sai dos ambientes de trabalho e chega dentro das casas... os filhos competem autoridade com os pais, a mulher compete o salário com o marido, os irmãos competem a atenção dos pais.
é patético, e ao mesmo tempo parece tão normal.
quem sabe se as pessoas descobrissem o verdadeiro significado da palavra "respeito", cada um do seu jeito, nos seus momentos de solidão e nos seus momentos de carência (pois todos temos esses momentos), se as pessoas se respeitassem, toda essa competição, todo esse desespero por um pouco de atenção, quem sabe, desapareceria.
acho que as pessoas têm se apegado cada vez mais á solidão e á saudade... com isso, cada vez mais frias, e carentes. mais distantes de si mesmas, desconhecendo seus próprios sentimentos, cada vez mais assistindo "tele jornais", e se comovendo com os monte de mortes que ali anunciam... deprimindo as pessoas com uma notícia, e não com uma história.
como se estivessem caminhando sob a grama e vendo apenas uma árvore, e não a floresta inteira...

sábado, 19 de julho de 2008

!

vamos parar com essa besteira de falar sobre exibicionismo. tudo aqui é exibicionismo... exibimos nossas vidas, nossos amores, nossas rotinas.
reclamam, e ainda assim, exibem.
então vamos exibir! vamos mostrar nossos dentes, vamos tirar fotos sorrindo.
e se dependendo da ocasião, tirarmos fotos chorando, vamos exibí-las também.
o maior prazer humano é perceber que sua exibição é bem aceita.

tempo, desapareça

essa noite eu passei mal e acordei com medo, olhei em volta e não havia ninguém deitado ao meu lado... com o meu grito por socorro minha mãe levantou e veio em direção ao meu quarto, tão natural, tão irracional. eu pedi para que ela nunca me abandonasse e sua resposta foi absoluta em um abraço: "nunca vou te abandonar". a tranquilidade veio sem avisar e ainda assim me fez notar que eu sinto dores e preciso de remédios para dormir a noite... mas eu não durmo.
as coisas nunca estiveram fáceis por aqui, por lugar nenhum. eu só tenho precisado do mínimo de paz... de um canto pra pensar.
eu não passei no vestibular pra medicina, e agora vou começar nutrição... não era esse o esperado, mas é isso o que me serve no momento. minha cabeça vai estar muito ocupada, e quem sabe assim, as angústias desapareçam por um tempo. eu sei que elas voltarão, elas sempre voltam...
mas por um tempo, nem que seja por pouco tempo, eu espero poder deitar e descansar, porque eu espero estar cansada todos os dias, o suficiente pra não ter tempo de olhar para o teto e deixar minha mente me levar á lugares e pensamentos tão indesejados...
as certezas de que preciso no momento, são tão óbvias, e no entanto, tão difíceis de serem demonstradas. as pessoas dizem:" deixe as coisas acontecerem com o tempo." mas o tempo nem sempre é aliado, o tempo quase nunca é meu aliado.
eu tive que aprender a lidar com um tempo que não está externo, que não é de todos nós... eu vivo com um tempo que é corrido, um tempo que me faz parar para que o próprio corra e me faça acordar um dia. um dia que é sempre tarde demais para voltar atrás.
um relógio que gira veloz.
eu quero, eu realmente quero um dia de cada vez. quero um minuto de cada vez. não quero uma vida plena, eu só quero uma vida que valha a pena.

"um dia encontrei um alienígena que me disse que viver é melhor que existir, e que fazer valer a pena só depende de nós."