domingo, 16 de novembro de 2008

i've got u with nothing to win... and nothing else to lose

espaço

é incrível ver que com o passar do tempo as coisas das quais mais nos orgulhamos em obter já não são mais conservadas...
o respeito, o limite, a liberdade, o carinho, a consideração, a empatia... se perdem em um vão que é tão pequeno, mas ao mesmo tempo tão escuro que o faz parecer imenso, de um tamanho cujo parece ser impossível recuperá-las.
a beleza do que aconteceu há minutos atrás já não tem mais o mínimo valor, e se quer é lembrada perto de um erro, de um engano imensamente menor, do que deveria de fato ser levado em conta.
as pessoas não se comprimentam mais, não se olham mais... não se tocam mais...
são estranhos deitados na mesma cama, divindo o mesmo cobertor... deitados sob o mesmo lençol que guarda tantas histórias de amor... há beleza, no que aconteceu há minutos atrás...
beleza essa que dura menos tempo do que a vida de uma simples borboleta...
coisas belas, voam, sonham, mas só duram, e quando duram, vinte e quatro horas.
as palavras, as boas palavras... aquelas que ficam guardadas na memória, submersas num infinito de sonhos e projeções, estão tão afundadas que só o que sobra, do que foi dito, é o que jamais deveria ser lembrado.
os machucados, as feridas, aquilo que doeu ao ouvir não se afogam e nem se transforam em pó...
demora a cicatrizar.
dói saber que muitas coisas estão perdidas em um vácuo, sem resposta, sem uma afirmação: tudo vai ficar bem.
dói não ouvir, e então não ter mais certeza, dói a indiferença e o silêncio.
ser um fantasma, para aqueles que não vêem fantasmas... ser algo simplesmente não existente.
e quando a existência é notada, é por algo ruim que se cometeu.
mas e se não foi tão ruim assim? e se só se sabe agir assim?
e se só se sabe amar assim?
querer assim?
falar assim?
é tão errado ser como se é?
é tão cheio de defeitos, de fraquezas, de tristezas... ser como se é?
e se parar pra pensar, não. talvez o erro não esteja no que você é... um dia ouvi dizer: "nunca cobre de uma pessoa ser mais do que ela sabe ser."
mas e se o que você sabe já não é mais suficiente, e então se busca no mais fundo interior de si mesmo algo a mais, algo que você não é, mas quer tentar ser... e se ainda assim não é suficiente?
será melhor continuar sendo o que é, errando... ou será melhor procurar ser outra coisa, tentando acertar...
e se ainda assim continuar errando?

esqueça tudo, se isole em uma gaiola como ratos, e fique ali, no seu mundo, sendo ele sujo, errado, e mal visto pelos outros... seja ignorante... veja, a ignorancia sempre trouxe a paz.
ou então, tente sempre mais, seja sempre mais, ofereça sempre mais do que você pode oferecer... mas não tenha certeza de que será o suficiente.

sábado, 15 de novembro de 2008

você pediu, e eu já vou daqui...

ás vezes, é tão difícil compreender que as pessoas não conseguem te compreender...
os sentimentos são tão confusos, embaralhados, mas no fim se alguém tentar, vai ser fácil te entender...
ás vezes você nem precisa de alguém que te compreenda, que te aceite, por inteiro...
você só precisa de um abraço, de um beijo.
mas é tão difícil compreender que isso, as pessoas não conseguem te oferecer.
quando só se olha um lado da moeda, é muito mais fácil resolver as coisas... mas usando um pouquinho de empatia, de repente, seja possível suprir o que você precisa naquele momento...
quando tudo parece perdido, e sem sentido... quando tudo o que você faz, já não é válido
quando você chora, baixinho... e ninguém te ajuda a enxugar as suas lágrimas
não há mais saída
e você pensa: vai ser assim pra sempre... assim como quando você pensa que as coisas boas vão ser assim pra sempre
mas não. não serão pra sempre...
se você é otimista, as coisas boas superarão e serão de fato pra sempre assim...
mas quando uma coisa pode dar errado...





o mundo é um moinho
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
vai reduzir as ilusões a pó.

sábado, 1 de novembro de 2008

Vander Lee (peguei emprestado)

SABE O QUE EU QUERIA AGORA, MEU BEM...
SAIR, CHEGAR LÁ FORA E ENCONTRAR ALGUÉM
QUE NÃO ME DISSESSE NADA
NÃO ME PERGUNTASSE NADA TAMBÉM
QUE ME OFERECESSE UM COLO, UM OMBRO
ONDE EU DESAGUASSE TODO O DESENGANO
MAS A VIDA ANDA LOUCA
AS PESSOAS ANDAM TRISTES
MEUS AMIGOS SÃO AMIGOS DE NINGUÉM
SABE O QUE EU MAIS QUERO AGORA, MEU AMOR?
MORAR NO INTERIOR DO MEU INTERIOR
PRA ENTENDER POR QUE SE AGRIDEM
SE EMPURRAM PRO ABISMO,
SE DEBATEM, SE COMBATEM SEM SABER
MEU AMOR...
DEIXA EU CHORAR ATÉ CANSAR
ME LEVE PRA QUALQUER LUGAR
AONDE DEUS POSSA ME OUVIR
MINHA DOR...
EU NÃO CONSIGO COMPREENDER
EU QUERO ALGO PRA BEBER
ME DEIXE AQUI, PODE SAIR
ADEUS

eu te amo - Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás se fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir